Constelação Familiar

 

Criada pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, a Constelação Familiar é um método psicoterapêutico que estuda os padrões de comportamento de grupos familiares através de suas gerações. Na prática, a Constelação Familiar mostra que muitos de nossos problemas, doenças, incompreensões e sentimentos ruins podem estar ligados a outros familiares que passaram por essas mesmas adversidades, mesmo que não tenhamos conhecido.

 

Esse método explica que há uma repetição de comportamentos, de acordo com gerações, mesmo que de uma maneira inconsciente. Hellinger propôs que há uma “consciência de clã” em todos nós, que é norteado por simples “ordens arcaicas” ou “ordens do amor”, que se referem a três princípios norteadores:

 

● a necessidade de pertencer ao grupo ou clã;

● a necessidade de equilíbrio entre o dar e o receber nos relacionamentos;

● a necessidade de hierarquia dentro do grupo ou clã.

 

Essas “ordens” atuam tanto em nossos relacionamentos familiares como os íntimos e amorosos e a conexão harmoniosa com essas ordens nos dão uma sensação de paz e nos faz sentir acolhidos e pertencentes a um grupo.

 

E COMO FUNCIONA?

 

Ao vir ao mundo no seio de uma família, não herdamos somente um patrimônio genético, mas também sistemas de crença e esquemas de comportamento. Nossa família é um campo de energia no interior do qual nós evoluímos. Cada um, desde seu nascimento, ocupa um lugar único.

 

Nós somos mantidos em nosso campo familiar pessoal e individual num nível determinado, que entrava ou faz crescer a nossa disposição para ser feliz, escolher livremente, ter êxito naquilo que empreendemos, para fazer durar os relacionamentos agradáveis, a saúde, o bem-estar e também as doenças.

 

Acontece que experimentamos o sentimento de termos sido mantidos nos esquemas problemáticos desde tempos imemoriais. As constelações familiares nos dão a oportunidade de compreender os esquemas em seu nível mais profundo.

 

Elas permitem que nos libertemos, ao mesmo tempo que encontramos a paz e a felicidade. A natureza do nosso campo de energia familiar é determinada pela história da nossa família, principalmente sua religião e suas crenças. Nosso país de origem, a religião em meio à qual nascemos, também desempenham um papel. Essa natureza é moldada por acontecimentos marcantes, como a história dos relacionamentos dos pais e dos avós, morte de uma criança muito nova, aborto, parto prematuro, adoção, suicídio, guerra, exílio forçado, troca de religião, incesto, antepassado agressor ou vítima, traição, ou mesmo a confiança. As ações generosas e altruístas de nossos pais e de nossos antepassados são saudáveis para nós, enquanto suas más ações modificam o campo energético familiar, obrigando as gerações posteriores a pagar o preço.

 

AS ORDENS DO AMOR

 

No tópico anterior, em que expliquei o que é Constelação Familiar, falei também, rapidamente, sobre as Ordens do Amor, ou seja, as leis que e preceitos que embasam este método e que, de acordo com os estudos de Hellinger, têm grande potencial de influenciar uma pessoa, de forma individual, e também todo um sistema familiar. Como eu disse, ao cumprir todas estas leis, que são a Lei do Pertencimento, da Hierarquia e a Lei do Equilíbrio, o indivíduo experimenta uma vida repleta de harmonia. Entretanto, caso estas não sejam cumpridas, existem grandes chances de surgirem os desequilíbrios familiares, como problemas afetivos, problemas de ordem financeira, as fobias, doenças e até mesmo tendências suicidas.

 

AS 3 LEIS

 

Lei do Pertencimento

 

Todos nós somos seres relacionais e que têm a grande necessidade de pertencer a um grupo. Neste sentido, ao nascermos, precisamos, nos sentir parte de um todo, ou seja, de um sistema familiar, que nos acolha e nos ofereça o afeto que precisamos, para crescer, de forma harmônica.

 

De acordo com Bert Hellinger, esta aceitação e acolhimento precisam acontecer independentemente de nossas ações, ou seja, independentemente se são comportamentos e atitudes boas ou ruins, o que, geralmente, acaba por não acontecer e geram os desequilíbrios que falei mais acima.

 

Isso quer dizer que, quando algum membro da família tem comportamentos considerados incorretos, ética e moralmente, como roubar, matar, cometer diversos outros tipos de abusos, a tendência é que os outros familiares acabem por tentar suprimir este fato, fazendo com que aquele que cometeu tais falhas seja afastado do convívio familiar, ou seja, excluído.

 

A questão é que quando isso acontece, acaba por gerar neste indivíduo o que a Constelação Familiar denomina de “Dor dos Excluídos”, que vai ocasionar problemas, não para ele, em si, mas para seus sucessores, para as gerações futuras da família, que são diretamente afetados pela situação, sem conseguirem, de fato, compreender o real motivo do problema que os impacta tanto.

 

Hellinger escreveu um livro, que se chama “Ordens do Amor” e nele o criador da Constelação Familiar explica que, quando um membro da família sofre este processo de exclusão, suas consequências são, invariável e inconscientemente, assumidas pelos membros subsequentes da família. Para ele, a resolução do problema se dá quando o membro excluído é reintegrado à convivência familiar, uma vez que, com isso, as injustiças cometidas passam a ser compensadas, não havendo a necessidade de ocorrerem repetições nos destinos dos próximos familiares que vierem.

 

Lei da Hierarquia

 

Seguindo adiante com as explicações acerca das Ordens do Amor de Bert Hellinger, após a Lei do Pertencimento, temos a Lei da Hierarquia. De acordo com ela, dentro do sistema familiar, cada pessoa ocupa uma posição, devendo esta ser reconhecida e valorizada pelos demais membros.

 

Isso quer dizer que, dentro da Lei da Hierarquia, é fundamental e necessário que se respeite aqueles que vieram primeiro, ou seja, os filhos devem respeitos a seus pais e, estes, por sua vez, precisam respeitar aqueles que vieram antes deles, seus antepassados.

 

Neste sentido, o desequilíbrio nesta Lei ocorre quando os papéis se invertem, ou seja, quando os filhos ocupam, dentro da família, a posição que deveria ser de seus pais, o que pode acarretar em pais com comportamentos e atitudes infantilizados e filhos mais nervosos, ansiosos e emocionalmente frágeis, já que serão obrigados a suportar uma carga emocional que, em tese, não é sua e nem deveriam carregar.

 

É importante deixar claro que quando se fala em respeitar a hierarquia familiar, não está se dizendo a ninguém para manter comportamentos e padrões familiares, ou perpetuar sistemas vigentes de família. O que Hellinger que ressaltar é a importância de manter o respeito àqueles que vieram antes de nós, honrando-os e aceitando a hierarquia de nossos antepassados, para que assim o equilíbrio da segunda ordem seja plenamente mantido.

 

Lei do Equilíbrio

 

Chegando à terceira Ordem do Amor, que se trata da Lei do Equilíbrio, ela diz que, dentro de um sistema familiar, é fundamental que haja um equilíbrio entre o dar e receber. Isso quer dizer que é necessário que todos os membros doem e recebam afeto de maneira igualitária, para que assim as relações se mantenham permanentemente equilibradas.

 

No entanto, é comum observar relações, principalmente as afetivas, em que um membro do casal acaba por doar mais amor do que o outro, tendo mais demonstrações neste sentido, do que seu parceiro ou parceira. E é exatamente neste ponto que o desequilíbrio acontece.

 

É importante saber que, por mais que o inconsciente coletivo acredite e nos diga que precisamos nos doar inteiramente por amor, pois tal comportamento não nos trará consequências negativas, sob o olhar da Constelação Familiar atitudes como estas tendem apenas a trazer desequilíbrios.

 

Isso acontece, pois aquele que recebe mais afeto do que doa acaba por tornar-se dependente de seu parceiro, e, em consequência disso, menos interessante, aos olhos do cônjuge que se doou em excesso. O resultado disso pode ser uma traição, já que o parceiro mais dedicado sempre sentirá que está faltando reciprocidade em seu relacionamento.

 

Além disso, este tipo de dinâmica pode também gerar uma culpa no parceiro que recebe mais afeto do que doa, justamente por não conseguir retribuir na mesma medida o amor recebido. Diante disso, a única saída que encontra é dar fim ao relacionamento ou passar a agredir verbalmente o parceiro que se doa demais, com o objetivo de diminuí-lo e tentar não sentir mais culpa.

 

Ainda falando sobre as questões que levam ao desequilíbrio dentro desta Lei, estas podem se manifestar também quando algum membro da família abdica da própria vida, de seus próprios sonhos, anseios, carreira, emprego, entre outros, em benefício de filhos ou cônjuges.