Síndrome da Impostora


É um transtorno psicológico que afeta, sobretudo, às mulheres no mercado de trabalho. “Será que sou capaz de realizar essa tarefa?”; “Acho que não vou na reunião de trabalho”; “E se o meu chefe perceber que não sou boa o suficiente para a função que ele me escolheu?”.


Quem sofre de Síndrome da impostora, costuma se autodepreciar constantemente, não se sente suficientemente capaz de exercer sua função no trabalho. Não se sente também merecedora do sucesso e conquistas profissionais, pois, se sente uma impostora, não qualificada, para o cargo que exerce.


Quais são os sintomas mais comuns desse transtorno psicológico?

1) Culpa por achar que está mentindo ou enganando às pessoas.

2) Medo de seu chefe e colegas de trabalho descobrirem que ela não é boa o suficiente para o cargo.

3) Perfeccionismo exagerado (cobra-se muito, é intolerante consigo mesma).

4) Medo de errar.

5) Dificuldade de lidar com às críticas alheias.

6) Baixa autoestima, sentimento de inferioridade, incapacidade, insegurança e inadequação.


Por que as mulheres são as mais afetadas por essa Síndrome?

Apesar das mulheres, nas últimas décadas, ocuparem cargos cada vez mais relevantes no mercado de trabalho, precisam ainda provar sua capacidade, dependendo da função que exercem, pois, são ainda uma minoria em determinados cargos (pilotos de aviões, jogadoras de futebol, executivas em empresas, empreendedoras etc.).


Vivemos ainda em um mercado de trabalho muito machista, sexista, onde 43% das mulheres ocupam cargos de liderança. A cobrança é maior e, por isso, elas têm medo de falhar em suas decisões.


Mulheres também sofrem 3 vezes mais assédio sexual do que os homens, no mundo corporativo. Eu me recordo de uma paciente, engenharia civil. Pelo fato de ser recém-formada, e, por ser mulher e jovem, o mestre de obras, não a respeitava e a assediava sexualmente.


Teve que se impor, falar mais alto para ser respeitada por ele e por outros funcionários da construção civil. Percebeu, que não adiantava ser educada e gentil. Teve que se impor, usando o mesmo linguajar deles, sendo mais firme e impositiva, até mesmo falando palavrões. Só assim, que ela se fez respeitada.


Vou relatar, agora, um caso muito interessante de Síndrome da Impostora. A paciente era médica, 48 anos, solteira. Ela veio ao meu consultório em pânico, chorando muito. Eu lhe indaguei o que estava acontecendo?


Paciente: - Dr. Osvaldo, há dois dias, que estou com insônia, pois estou apavorada e angustiada. O Conselho Administrativo do Hospital, onde trabalho, me escolheu para ser a nova diretora clínica. Eu entrei em pânico, pois, não sinto à altura, capaz de exercer esse cargo. Eu pensei: - Há colegas médicos muito mais competentes, qualificados, para exercerem esse cargo do que eu. Não me sinto capaz de ocupar esse cargo. Tenho medo de aceitar o convite e vir a ser desmascarada pela minha incompetência e ser demitida. Pedi um tempo para dar uma resposta definitiva ao Conselho.


Terapeuta: - Por que você acha que os membros do Conselho lhe escolheram para ser a nova diretora do Hospital? Por que é bonita? Por que é simpática, se encantaram com os seus olhos? (ela realmente era bonita, simpática, e tinha olhos bem verdes). Eles não iriam se arriscar escolhendo você, se não tivesse perfil para ocupar um cargo tão importante.


Ao passar pela regressão de memória, ela se viu em várias encarnações passadas em papéis sociais bem humildes e de submissão, como escrava sexual, camponesa, prostituta, mendiga, ajudando o marido num bar de periferia de uma favela do Brasil, no Rio de Janeiro, servindo pinga aos clientes. Em várias encarnações veio, portanto, em condições socioeconômicas precárias e sempre servil, recebendo ordens.


Na última sessão, o seu mentor espiritual lhe revelou que, na vida atual, desta vez, ela teve o merecimento de vir em uma família abastada, de classe média alta (seus pais eram médicos bem-sucedidos, e foram eles que pagaram a faculdade de medicina que ela cursou).


Disse-lhe que, na encarnação atual, veio, desta vez, com a missão de ocupar um cargo de mando para liderar pessoas. E que, aos poucos iria aprender, desenvolver habilidades em ser uma líder, o que não ocorreu em suas vidas passadas, onde foi muito submissa, servil.


Por isso, trazia ainda resquícios de personalidade, comportamentos de submissão dessas vidas passadas, mas que ela tinha todas às condições de se superar, no novo cargo, que iria desempenhar. No final da terapia, ela tomou a decisão de aceitar o cargo de diretora clínica do hospital.


Outro caso interessante de Síndrome da Impostora é o de uma paciente de 38 anos, solteira. Foi sua irmã que agendou comigo à sua consulta. Tarefas mais simples do cotidiano, como ir à padaria, fazer compras em supermercado, ir ao banco, ou mesmo agendar uma consulta médica, era sempre a irmã que fazia por ela.


Ela se sentia insegura, tinha baixa autoestima, sentimentos de incapacidade, inferioridade e inibição excessiva. Prestou concurso público para auditora fiscal e foi aprovada, tirando uma excelente nota, uma boa colocação, mas não havia tomado ainda posse do cargo, adiando, por não se sentir suficientemente capaz, qualificada.


Foi esse o motivo que a fez me procurar. Queria saber por que se sentia tão incapaz e insegura, diante da vida. Na Anamnese (entrevista de avaliação) ela me confessou que tinha medo de assumir o cargo e depois ser desmascarada por ser inapta, incompetente. Por isso, tinha muito medo de assumir responsabilidades do cargo e não dar conta do recado.


Numa das sessões de regressão, ela gesticulava, apontando o dedo indicador para sua boca, não conseguindo falar. Depois de um certo tempo que ela conseguiu se expressar, falar. Disse-me que viu o seu rosto, numa vida passada, e percebeu que era portadora de Síndrome de Down. Ela se viu meio abobalhada, com dificuldade de falar (os portadores dessa Síndrome, podem ter uma deficiência mental de moderada a severa; no caso dela, era severa nessa vida passada).


Pessoas com a Síndrome de Down podem nascer também com a língua mais longa, grossa e protusa (para fora da boca). Por isso, naquela sessão de regressão, ela não conseguia se expressar, falar comigo. Ela se viu sozinha num quarto, pois, sua mãe a deixava lá para fazer a faxina de casa.


Mãe e irmã de hoje eram às mesmas dessa vida passada, e, na vida atual, a tratavam da mesma forma que a tratavam naquela existência, fazendo tudo para ela. Seu mentor espiritual se apresentou nessa sessão, dizendo-lhe que, desta vez, ela veio saudável, sem nenhum retardo mental; hoje, pelo contrário, era muito inteligente, tanto que passou num concurso público muito disputado e foi aprovada com uma ótima colocação.


Mas, ainda trazia como resquícios dessa vida passada, hábitos, pensamentos, sentimentos e comportamentos de uma deficiente mental. Portanto, ela precisava assumir às rédeas de sua vida, fazendo às tarefas do cotidiano, não as deixando mais para sua mãe e irmã.


Conclusão:


A paciente colocou em prática às orientações de seu mentor espiritual e, no final da terapia, sentindo-se mais segura e confiante, tomou a decisão de assumir o cargo à qual fora aprovada.





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