Você costuma se sentir culpado?

Atualizado: 10 de dez. de 2021

Você costuma se sentir culpado?


Quando pergunto aos meus pacientes, qual o sentimento que mais sentem no seu cotidiano? Muito respondem: - Culpa! Normalmente, a tendência desses pacientes sentirem culpa, vêm de outras vidas, onde prejudicaram as pessoas, por exemplo: matando, roubando ou prejudicando a si mesmo, tirando suas próprias vidas, cometendo o suicídio.

Muito cultivam ainda comportamentos autodestrutivos, isto é, costumam se automutilar com gillette ou com faca, cortando-se. Buscam se punir, castigar, pois, são um poço de culpa e remorso, por erros cometidos em outras vidas.


São obsessores de si mesmos

São doentes da alma, obsessores de si mesmos, atormentados pelos seus próprios pensamentos destrutivos e doentios. Esses pacientes costumam se sabotar, não se permitem serem felizes. Não se permitem também errar, são muito exigentes, intolerantes consigo mesmos e, na maioria das vezes, condescendentes com os outros.


Mas por quê?

Como erraram “feio” no passado, hoje, não se permitem errar, e, quando erram ficam se cobrando, não conseguem dormir, tal o grau de exigência, de autocobrança. Precisam aprender a exercitar o auto perdão e a capacidade de se amar. Nem precisam de obsessores espirituais (seus desafetos espirituais) para prejudicarem suas vidas, pois são obsessores de si mesmo.


O seu pior inimigo é você mesmo!

O pior inimigo, são eles mesmos, pois vivem se sabotando, procrastinando o que precisam fazer em seus cotidianos, pois não se sentem merecedores. Costumam não concluir o que começam, deixam tudo inacabado, pela metade (curso de inglês, academia, dieta, leitura de um livro, etc.). Muitos nem estabelecem metas, pois não se acham capazes, por conta da baixa autoestima.


Paciente que se sentia muito culpada, quando errava

Eu me recordo de uma paciente de 40 anos, viúva, dois filhos adolescentes de 16 e 18 anos. Ela me procurou por conta de sua baixa autoestima, sentimento de incapacidade, sentia-se muito culpada quando errava. Tinha o hábito de procrastinar, pois tinha muito medo de tomar decisões e vir a errar e se arrepender, diante de suas escolhas.

Embora soubesse que a vida é feita de escolhas, de acertos e erros, não conseguia tomar decisões. Seus filhos reclamavam dela, que a descarga do banheiro estava quebrada, o chuveiro estava queimado, a torneira da cozinha estava com goteira, mas ela ficava paralisada, inerte, diante desses problemas, só os olhando, sem tomar nenhuma providência.

Fois escolhida para ser síndica do prédio, onde residia, e não aceitou por medo de assumir responsabilidades. Sua insegurança também a prejudicava em seu trabalho, pois se sabotava, não se permitia ter uma ascensão em sua carreira, ficava estagnada, com medo de se destacar, apesar de ter competência e talento.


Ao regredir, ela se viu numa vida passada, como um general, um estrategista militar, porém, muito autoritário e soberba. Estava numa mesa, com um mapa ao centro, rodeado pelos seus auxiliares, traçando um plano de guerra, até que um dos seus auxiliares o questionou, alegando que o plano era muito arriscado, pois se colocasse a sua tropa para atacar o inimigo no desfiladeiro, seria muito arriscado porque não havia uma saída de escape e os inimigos poderiam armar uma emboscada. O general ficou indignado com o questionamento de seu auxiliar e o mandou calar a boca, falou para ele se colocar em seu lugar, pois era um simples subalterno.


Sua tropa e seu próprio filho morreram

Mas, após ordenar o ataque, viu que o seu auxiliar estava certo, pois toda a sua tropa, inclusive o seu filho, que era o sargento dessa tropa, foram mortos. Perplexo e abatido com a notícia, foi pessoalmente a cavalo, sozinho, no desfiladeiro.

Viu os corpos mortos no chão e de seu filho também. Pegou o seu corpo e o colocou em cima do cavalo e foi cavalgando devagar, até um estábulo, e o enterrou. Em seguida, entrou a cavalo no estábulo, amarrou uma corda, no teto do recinto e se enforcou.

Em espírito, viu o seu corpo balançando na corda e ficou parado, inerte, olhando-o fixamente. A paciente veio a perceber que na vida atual fazia a mesma coisa diante de um problema: ficava olhando fixamente, inerte, a torneira quebrada, o chuveiro queimado. Ou seja, da mesma forma que nessa vida passada olhava impotente, inerte, para o seu corpo pendurando na corda, fazia a mesma coisa, diante de um problema, na vida presente.


Conclusão: Quando identificou que trazia a culpa, o remorso, por ter perdido o próprio filho por ter tomado uma decisão equivocada ao ordenar um ataque naquele desfiladeiro, conscientizou-se do porquê na vida atual se sabotava, tinha medo de errar. Ao vivenciar a cena passada, na regressão de memória, visto agora sob um novo ângulo, mais bem compreendido, ressignificou os seus problemas, libertando-se de seu passado.

Compreendeu que o seu medo de tomar decisões e vir a errar, não vinha dessa vida, mas de uma vida passada. Com isso, passou a não ter mais medo de tomar decisões, não estava mais protelando, procrastinando a resolução de seus problemas. Entendeu que a procrastinação era uma defesa psíquica por ter tomado uma decisão que custou a vida de seus soldados e de seu próprio filho. Mas, agora, na vida presente, a realidade era outra, pois estava numa outra vida, num outro contexto de vida, tanto que, dessa vez, veio como mulher, mãe de dois filhos maravilhosos.


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